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28 Aug 2008
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Chega de Saudade
Almandrade,  Antônio Luiz M. Andrade




UMA PAUSA




Na paisagem oculta

da noite

a indecisão

um livro, uma canção

um blues.

O que a fala

não revela

o pulsar do ciúme

sem destino

último instante

um diário ferido.







Verdade em excesso

pulsação

tudo preto

a proposição encerra

o início de um sentido

a negação confinada

em uma palavra

devolve a realidade

dispersão e incerteza

a forma do ser.








A rua repleta

de automóveis

um olhar cheio

de ausência

analogia

da simplicidade

os ruídos de sempre

a água do mar

em pequenas ondas

distrai e seduz

a inexistência

um sim volátil.









DEPOIS



Mar na cama

longe da praia

perto do terreiro

molhada

junho é o mês

seis diz o calendário

uma noite

depois da vernissage

um presente

e um ciúme.










SAUDADE



O encontro passa

a noite se desfaz

com a brisa da ausência

mas a beleza

do instante permanece.

A moça nua

deixou na cama

uma canção:

“Chega de Saudade”.









SOLITÁRIO E METAFÍSICO



Cosmo vazio

a vida levitando

fim de ano

nem o sol do verão

enxuga

a água  dos olhos

musa ao longe

no horizonte invisível

inércia

amor aflito

não sai de casa.










www.expoart.com.br/almandrade

Almandrade,

Antônio Luiz M. Andrade


É arquiteto, poeta e artista plástico baiano, de Salvador. Como artista
plástico já participou de quatro bienais internacionais em São Paulo, além
de várias outras exposições no país e no exterior. Editou em 74 a revista
“Semiótica” e, seus poemas procuram dar às palavras intensidade plástica,
forma. Publicou os livros “O Sacrifício dos Sentidos”, “Obscuridade do
Riso”, “Poemas”, “Suor Noturno” e no prelo, “Arquitetura de Algodão”. É um
dos grandes nomes brasileiros do poema visual e, já teve matéria sobre sua
obra publicada na Revista Pampulha





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