De: Agamenon Troyan
O PAPEL E O POETA
Não quero mais ser um coadjuvante, Para ser lembrado apenas por um lapso. Estou farto de pensamentos disfarçados em abstrato Ziguezagueando por entre linhas de raciocínio.
Quem é o criador? O poeta que se torna escravo de suas musas, Ou o papel que as alforria silenciosamente? Perguntas sem respostas, Cuja desculpa se encontra No último parágrafo.
Cansei de ser o fardo de uma pena E depósito de frustrações. Quero libertar-me desse jugo E prender-me em minhas próprias idéias Ser o personagem da minha própria pessoa.
Quero atuar em meu próprio mundo Ser a minha gramática, Sem uma sentença que me condene.
Quero descobrir o meu verdadeiro papel Poder enxergar a mim mesmo Não sobre uma escrivaninha fria e empoeirada Cujo tempo a esqueceu no esquecimento, Mas sim em cada alma ... Em cada poesia.
LÁGRIMAS DE AREIA
Lá estava ela, triste e taciturna Testemunha de efêmeros conflitos Com um olhar perdido no tempo, Não exigia nada em troca A não ser um pouco de atenção.
Sentia-se solitária; oca. Os homens admiravam-na Pelos seus dotes As crianças, em sua eterna plenitude, Admiravam-na muito mais além... ... Mais humana!
De sua profunda melancolia Lágrimas surgiram. Elas não umedeceram o seu rosto Mas secaram o seu coração, O poço da alma, Aumentando cada vez mais A sua sede.
E lá ela permaneceu; estática, paralisada! Esperando que o vento do norte a levasse Para bem longe dali...
O dia começou a desfalecer Seu coração, outrora seco e vazio, Agora pulsava em desenfreada arritmia. Desespero! A maré estava subindo...
Em breve voltaria a ser o que era: Um simples grão de areia. Quiçá um dia levado pelo vento, Quiçá um dia! Em um porto seguro.
O OLHAR DE YOLANDA
Entre eu e você Existe um enorme abismo Que precisa ser vencido Com diálogos e confissões.
Quando estou só Sinto falta do teu olhar, Quando estamos juntos Sinto falta de nos comunicar.
Mantenho ardentemente a esperança De um dia tê-la em meus braços. Conenctar-me com seu corpo Em tortuosas ondas de rádio.
A timidez uniu-se ao Coma Gerando tempestades cerebrais Impedindo a nossa aproximação.
Quero gritar ao mundo que te amo Mas como posso fazê-lo Se os teus olhos insistem Em negar-me? Terei que fazer meu papel de bobo, Ou atuar como um desentendido?
De repente...
A sirene do intervalo tocou Despertando-me de um sonho distante; Tão distante, mas próximo do teu olhar... ...Yolanda.
A LAGRIMA DO ADEUS
Eles querem me matar! Não posso vê-los, mas posso ouvi-los. Passos e mais passos invadem o meu quarto Ouço minha esposa, Ouço os meus filhos; Recordo-me dos meus pais...
Argumentam que não há cura Fingem não saber a causa Simulam a busca de uma solução.
Meu corpo se encontra inerte A boca está vazia, A mente está muda Mas onde me encontro agora?
Nunca rezei; sempre fui cético. Chegou o momento de refletir... De me arrepender? Ah se eu pudesse me mover, Se eu pudesse ao menos murmurar...
Finalmente deparo-me com o meu destino: “Desliguem essa máquina!”, foi o que ouvi. A cada clique que soava Era um pedaço de mim que agonizava.
Ouvi passos se aproximando do meu leito Senti os doces lábios de minha amada Beijar-me pela última vez. Tudo estava consumado...
Meus filhos chamaram pelo o meu nome Deus, se você existe, ajude a me despedir O derradeiro clique se fez ouvir... Nas profundezas do meu silêncio Ouvi meu coração silenciar-se.
Minhas lembranças se desfizeram em lágrimas Mas apenas uma: a do Adeus, Conseguiu rolar pelo meu rosto.
De: Agamenon Troyan
|
Anarquistas frente al conflicto rural...
la distribucion de la riqueza esta en...
estoy de acuerdo - al campo solo le i...
agradecimiento - Muchísimas gracias a...
HOMENAJE POPULAR A PATXI IBARRONDO - ...