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05 Jul 2008
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Lágrimas de Areia
De: Agamenon Troyan





O PAPEL E O POETA


Não quero mais ser um coadjuvante,
Para ser lembrado apenas por um lapso.
Estou farto de pensamentos disfarçados em abstrato
Ziguezagueando por entre linhas de raciocínio.

Quem é o criador?
O poeta que se torna escravo de suas musas,
Ou o papel que as alforria silenciosamente?
Perguntas sem respostas,
Cuja desculpa se encontra
No último parágrafo.

Cansei de ser o fardo de uma pena
E depósito de frustrações.
Quero libertar-me desse jugo
E prender-me em minhas próprias idéias
Ser o personagem da minha própria pessoa.

Quero atuar em meu próprio mundo
Ser a minha gramática,
Sem uma sentença que me condene.

Quero descobrir o meu verdadeiro papel
Poder enxergar a mim mesmo
Não sobre uma escrivaninha fria e empoeirada
Cujo tempo a esqueceu no esquecimento,
Mas sim em cada alma
... Em cada poesia.







LÁGRIMAS DE AREIA


    Lá estava ela, triste e taciturna
    Testemunha de efêmeros conflitos
    Com um olhar perdido no tempo,
    Não exigia nada em troca
    A não ser um pouco de atenção.

    Sentia-se solitária; oca.
    Os homens admiravam-na
    Pelos seus dotes
    As crianças, em sua eterna plenitude,
    Admiravam-na muito mais além...
    ... Mais humana!

    De sua profunda melancolia
    Lágrimas surgiram.
    Elas não umedeceram o seu rosto
    Mas secaram o seu coração,
    O poço da alma,
    Aumentando cada vez mais
    A sua sede.

    E lá ela permaneceu; estática, paralisada!
    Esperando que o vento do norte a levasse
    Para bem longe dali...

    O dia começou a desfalecer
    Seu coração, outrora seco e vazio,
    Agora pulsava em desenfreada arritmia.
    Desespero!
    A maré estava subindo...

    Em breve voltaria a ser o que era:
    Um simples grão de areia.
    Quiçá um dia levado pelo vento,
    Quiçá um dia!
    Em um porto seguro.







O OLHAR DE YOLANDA



    Entre eu e você
    Existe um enorme abismo
    Que precisa ser vencido
    Com diálogos e confissões.

    Quando estou só
    Sinto falta do teu olhar,
    Quando estamos juntos
    Sinto falta de nos comunicar.

    Mantenho ardentemente a esperança
    De um dia tê-la em meus braços.
    Conenctar-me com seu corpo
    Em tortuosas ondas de rádio.

    A timidez uniu-se ao Coma
    Gerando tempestades cerebrais
    Impedindo a nossa aproximação.

    Quero gritar ao mundo que te amo
    Mas como posso fazê-lo
    Se os teus olhos insistem
    Em negar-me?
    
    Terei que fazer meu papel de bobo,
    Ou atuar como um desentendido?

    De repente...

    A sirene do intervalo tocou
    Despertando-me de um sonho distante;
    Tão distante, mas próximo do teu olhar...
    ...Yolanda.








A LAGRIMA DO ADEUS


Eles querem me matar!
Não posso vê-los, mas posso ouvi-los.
Passos e mais passos invadem o meu quarto
Ouço minha esposa,
Ouço os meus filhos;
Recordo-me dos meus pais...

Argumentam que não há cura
Fingem não saber a causa
Simulam a busca de uma solução.

Meu corpo se encontra inerte
A boca está vazia,
A mente está muda
Mas onde me encontro agora?

Nunca rezei; sempre fui cético.
Chegou o momento de refletir... De me arrepender?
Ah se eu pudesse me mover,
Se eu pudesse ao menos murmurar...

Finalmente deparo-me com o meu destino:
“Desliguem essa máquina!”, foi o que ouvi.
A cada clique que soava
Era um pedaço de mim que agonizava.

Ouvi passos se aproximando do meu leito
Senti os doces lábios de minha amada
Beijar-me pela última vez.
Tudo estava consumado...

Meus filhos chamaram pelo o meu nome
Deus, se você existe, ajude a me despedir
O derradeiro clique se fez ouvir...
Nas profundezas do meu silêncio
Ouvi meu coração silenciar-se.

Minhas lembranças se desfizeram em lágrimas
Mas apenas uma: a do Adeus,
Conseguiu rolar pelo meu rosto.



De: Agamenon Troyan

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